Projeto Fortalecer e Organizar os Catadores da Região Metropolitana de São Paulo

A área de atuação do projeto teve abrangência sobre a grande São Paulo, destacando-se as regiões oeste, leste e sul da capital. E os municípios de: Osasco, Embu das Artes, Taboão da Serra, Itapevi, Cotia, Santana de Parnaíba, Franco da Rocha, Francisco Morato, Carapicuiba, Jandira, além do município de Itapeva.

Os empreendimentos da economia solidaria que participaram do projeto foram: Avemari, CMR Itapevi, Cooperaires, coopermape, coopernatuz, coopernovacotia, cooperzagati, coperunidos, fênix – ágape, ganhando vidas, luxo do lixo, unidos pelo futuro, vivavem, cooerjan.

O projeto contou com três eixos estratégicos:

· A articulação do planejamento participativo gerou a integração dos atores do projeto;

· A implantação do desenvolvimento organizacional permitiu a coordenação das ações e atividades do projeto

· A execução direcionou os resultados na dinamização da economia solidária.

Os eixos se organizaram através de seis temas: mobilização, formação, articulação, assessoramento técnico, fechamento do lixão e fortalecimento da rede verde sustentável. E as etapas se distribuíram ao longo de cinco anos, de 2013 a 2017.  As atividades como: mobilização, formação, articulação, assessoria pedagógica, apoio a gestão,  gestão participativa, treinamento e capacitação de lideranças foram permanentes.  Já as outras etapas se distribuíram de acordo com a demanda.

Os principais desafios do projeto foram:

· Sensibilizar diferentes atores

· Articular o poder publico durante a troca de governos

· Nivelar o assessoramento técnico e as formações

· Quebrar o paradigma da destinação do resíduo sólido urbano para o lixão

· Possuir competência multi disciplinar para dar suporte técnico completo.

A evolução do projeto pode ser medida em quatro indicadores:

· Renda média: onde o projeto conseguiu uma evolução significativa de R$ 850,00 para R$ 1192,00 mensais;

· A produção praticamente triplicou de 343 toneladas para 908 toneladas/ ano;

· A quantidade de catadores organizados teve um aumento de 86% chegando em 364 ao final do projeto, e em 714 avulsos;

· A quantidade de empreendimentos da economia solidária mais do que dobrou, de 7 para 15.

Ao todo entre catadores organizados e avulsos o projeto contemplou 714 beneficiários. A carga horária por turma foi de 125 horas, totalizando 2500 horas e 1233 horas de treinamento, distribuídas em 20 turmas.

A rede verde sustentável se estruturou a partir de um plano de negócios que definiu os objetivos, missão, visão, princípios. A soma dos planos³ produtivo operacional, logística, financeiro e gestão da rede; contribuíram para formação de cenários de atuação. A constituição da rede verde sustentável se deu a partir da formalização de uma cooperativa de segundo grau, incluindo dez empreendimentos da economia solidária. Equipamentos, veículos, galpões e um escritório comercial somaram-se para gerar a infraestrutura da rede.

A rede de comercialização propicia aos empreendimentos serem mais participativos por meio de assembleias, tomadas de decisões e deliberações em grupo; integrando a coleta seletiva de vários municípios, tornando-os protagonistas de uma economia solidária mais relevante.  A constituição de um escritório base, mais o auxílio de assessoria técnica permite o desenvolvimento da gestão de controles que somados ao desempenho de equipamentos mais sofisticados, resultam aos empreendimentos a produção e comercialização de material mais qualificado. Por meio de assessorias para contratação de convênios com o poder público e o setor privado, estabelecendo a operação logística centralizada num galpão, os empreendimentos conseguem agregar valor a sua produção aumentando a escala e o poder de negociação.

O Movimento Viva Janaina Alves surgiu a partir da realidade vivida pelos catadores no lixão Itapeva em homenagem a Janaina Alves, menina de 13 anos, que faleceu atropelada por um caminhão basculante enquanto procurava por alimentos.  Foram mobilizadas entidades da sociedade civil por meio de uma carta assinada com o prefeito de 14 compromissos a serem mantidos durante seu mandato até 2020. Os objetivos do MVJA foram: criação da cooperativa, capacitação dos catadores, construção da infraestrutura, implantação da coleta seletiva no município.

Os projetos no MVJA para geração de renda incluíram formações auxiliares no desenvolvimento do catador como: cursos para uso do bambu, panificação, informática e redes sociais, reforma e restauração de móveis, culinária, jardinagem, horticultura, recuperação e reaproveitamento de materiais da construção civil, micro empreendedorismo e marcenaria. O processo gera economia de recursos públicos, emprego e renda. Está de acordo com a legislação de saneamento e resíduos sólidos e cumpre compromisso (OIT) contra trabalho infantil e a favor do trabalho decente.

Para o catador o MVJA garantiu a formação e formalização da cooperativa, propiciando reconhecimento de sua atividade, dignidade, segurança, renda justa, melhor qualidade de vida e cidadania. Para a sociedade assegurou maior justiça social, melhor gestão ambiental e melhor eficiência no emprego do recurso público.

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